✿ Desenvolvimento Pessoal

✿ como consegui melhorar a minha vida.

5 de Fevereiro, 2020
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           Eu sempre fui uma criança muito tímida e determinada. A minha mãe contava-me que eu estava sempre a cair, mas levantava-me sempre sem chorar e eu lembro-me que tinha medo das pessoas, por alguma razão. Eu era muito curiosa com o mundo, lembro-me disso também e é engraçado que continuo a ser.

           Quanto mais crescia, mais fechada me tornava em relação ao que me rodeava e a depressão e a ansiedade tornaram-se as minhas melhores amigas, basicamente. Era algo que não dava para evitar, por muito que tentasse. Andei na psicóloga da escola e não fez grande coisa porque quando deixei de ir (porque tinha mudado para uma escola secundária) voltei ao ponto que estava e consegui piorar.

           O meu ponto mais baixo de sempre foi, sem dúvida, no décimo segundo ano. Foi dos piores anos da minha vida a nível mental. Eu estava completamente destruída, esgotada com a escola, confusa com as escolhas a fazer, pessoas tóxicas na minha vida, uma mistura de sentimentos. Cheguei a um ponto que decidi que estava farta de estar miserável todo o tempo e procurei ajuda. Fui à psicóloga da escola que me diagnosticou com depressão e ansiedade. Fui à medica de família para tomar medicação e cheguei a acabar as caixas que me recomendou, mas sentia uma tremenda apatia em geral. Eu preferia mil vezes ter emoções que vão de um extremo a outro, do que sentir apatia total sobre o mundo. Além disso, detestava estar dependente de um comprimido para me sentir bem.

           Pesquisei, não vou mentir. Procurei imensas coisas na internet, relacionadas com estas doenças e cheguei à conclusão que precisava de mudar muita coisa na minha vida. Essas coisas resumiram-se em:

Eu precisava de entender onde me encontrava na vida.

            O que quero dizer com isto é: eu precisava de entender a razão pela qual, muitas das vezes, odiava a minha vida e só queria desaparecer. Este é o passo mais importante de todos porque, sem ele, tu não vais saber o que tens de melhorar. É muito fácil dizer “tens de ser mais feliz”, mas que motivos tens para ser mais feliz? É isso que tens de saber: o que te faz feliz e o que te faz infeliz na vida?

Quero mudar X e Y, a partir de agora.

           Após ter percebido o que me fazia bem ou mal, decidi o que precisava de mudar na minha vida. Que áreas precisava de dar um pouco mais de atenção e aquelas que não era preciso. Este e o passo anterior são feitos com a ajuda da Roda da Vida ou Nível 10 da Vida, que na altura não tinha noção que a estava a fazer. No meu Bullet Journal falo um bocadinho sobre isso. Resumidamente: consiste em avaliar, de 0 a 10, em que nível estão as diferentes categorias da vida. As categorias são sobre todos os aspetos importantes da tua vida.

Há coisas que não consigo mudar.

           E isto aplica-se em tudo. Há coisas que não estão no nosso controlo para conseguir mudar ou melhorar. O que os outros pensam de nós, como reagem ao que fazemos, não consegues controlar o tempo nem se vai chover ou dar sol, não consegues controlar se alguém é correto contigo ou não – e a culpa não é tua! É importante aceitar isso e focar nas coisas que realmente conseguimos manusear a nosso gosto.

Para chegar ao meu objetivo, preciso de fazer coisas antes.

           De nada serve ter um objetivo de vida se não planeias trabalhar e dedicar tempo a tentar concretizá-lo. Este era um dos passos que me custava imenso porque eu queria ser mais feliz, mas não fazia nada para ser, efetivamente, mais feliz. Se quero emagrecer, preciso de levantar o meu rabo da cadeira, parar de comer porcaria e fazer exercício, Eu sei que é fácil falar, ainda hoje me custa focar-te e fazer as coisas que preciso de fazer, mas se quero ser melhor, preciso de o fazer.

           Claramente, é óbvio que uma ideia grande é muito assustadora, por isso mesmo é que vou reparti-la e criar pequenos passos para chegar à meta final. Podes escrever mesmo o que precisas de fazer e depois meter uma cruzinha ou um certo para te dar aquela motivação extra para fazer o próximo item da lista.

Escrever o que sinto como forma de desabafo.

           Por outras palavras, journaling. Eu escrevo imenso, seja no meu diário, seja através de personagens que crio. Muitas das vezes, nós não precisamos que nos dêem soluções ou conselhos para os nossos problemas, só precisamos de os escrever para criar um alívio dentro de nós e, quem sabe, não nos ajuda a perceber o que temos de fazer, não é? Este foi o meu refúgio por anos e continuo a praticar porque também me ajuda a organizar as ideias e criar uma espécie de introspeção para avaliar o que se passa na vida.

Tudo fica mais simples se a organização existir.

           Acho que toda gente se sente super stressada quando o seu espaço físico e mental está completamente desorganizado e confuso. Além do ponto de cima ajudar um pouco na organização das ideias, fazer uma lista diária ou mental de tudo o que tens de fazer ajuda bastante para libertar espaço da tua mente para o que realmente importa. Este vídeo do Matt D’Avella mostra a importância que uma lista tem na nossa vida de forma a concentrar as tuas energias nas tarefas cruciais.

           Depois de organizares a mente, foca-te em organizares e simplificares a tua vida fisicamente. O teu quarto, o teu escritório, tudo. Eu tenho uma lista de artigos já publicados sobre simplificares a tua vida e em breve irão sair mais por isso, estejam atentos!

Gratidão é o sentimento mais importante durante este processo.

            É preciso entender que, independentemente de tudo o que possa acontecer, precisas de agradecer as coisas que tens à tua volta. Falo por experiência própria quando digo que é muito difícil quando estás num mau lugar mentalmente conseguires captar as coisas boas da vida, mas acredita em mim, elas existem. Faz uma lista continua ou escreve, todos os dias, três coisas pelas quais estás grato(a) na tua vida. Podem ser as coisas mais pequenas como “o sol quentinho a bater na cara” ou “conseguir ler”. Não importa o tamanho de cada coisa, o que importa é conseguires sentir realmente agradecimento por teres essa coisa na tua vida.

Negatividade só gera negatividade.

            Eis o que me faltava perceber quando cheguei ao ponto mais baixo da minha vida: estar perto da negatividade só me afeta. Eu sou muito empata, sugo muito os sentimentos e emoções das pessoas, sinto muito as dores dos outros e tento ser a curandeira das pessoas, mesmo que não mereçam. Da mesma maneira que no ponto número um é para definir o que te faz bem ou mal, aqui é preciso cortar esse mal pela raiz: pessoas tóxicas (sejam familiares ou amgios) que te fazem sentir mal por razão nenhuma, situações más, hábitos maus, tudo o que seja mau.

Pensa no que tens, visualiza o que não tens.

            O que quero dizer com isto (e entra um pouquinho na parte de gratidão) é deves pensar em todo o processo que já conquistaste e todas as coisas que agradeces. Assim, invés de chorar por aquilo que ainda não tens, imagina-te a tê-lo já. O método de visualização é muito comum para quem está conectado com espiritualidade do universo. Há muitos relatos a falarem do quanto é que mudou a sua vida ao idealizar a sua vida de sonho porque atrai boas energias para a nossa vida. Da mesma maneira que pensar no que não temos traz más energias.

 

            Sei bem que é muito fácil falar de barriga cheia. Eu já estive no fundo do poço e o ano passado foi muito complicado para mim e, se eu não estivesse bem como estou, não sei se conseguiria lidar com as coisas que aconteceram da forma como lidei.

            Eu não estou a dizer, de todo, que o seguimento de viver uma vida mais completa é simples como escrever este artigo. Levou-me anos a conseguir chegar ao ponto onde estou, são mais de dez anos a lutar contra a tendência natural de deixar-me ir abaixo. Há uns dias mais difíceis do que outros, como tudo na vida. O importante é mesmo não desistir e tentar todos os dias, basta um tentar para conseguir.

Não se esqueçam de ser bondosos uns para os outros!

Até já,

    Diz o que pensas! ;)

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